sábado, agosto 16, 2014

"Primeiro estranha-se, depois entranha-se", dizia o Fernando Pessoa. Sim, claro está. Mas também existe o oposto. Também se entranha e depois se estranha. Por exemplo, algo que desejamos muito e quando o obtemos deixa de ter algum significado porque o significado todo estava na conquista; quando uma pessoa chega e toca a nossa vida no primeiro dia, nos encantamos, e o tempo passa e aquela pessoa não traz mais nada a acrescentar à nossa vida e estranha-se de tal maneira que ficamos a pensar "como foi possível por um segundo eu sentir alguma afinidade com aquilo?"; uma peça de roupa que era a nossa cara e em tempos deixa de ser e torna-se horrível e algo que "nunca voltarei a usar". As coisas mudam, as pessoas mudam. Ou então as coisas descobrem-se, as pessoas descobrem-se. Afinal, até que ponto poderíamos desejar algo sem conhecer? A que ponto podemos dizer que aquela pessoa tocou a nossa vida se não conhecemos nada a respeito e os dias que vão mostrando a sua personalidade? E como uma roupa é a nossa cara?

No momento sinto-me a estranhar o que antes se entranhou.

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