Curiosidade | Luísa de Jesus

sexta-feira, setembro 26, 2014

Eu gosto muito de História. Tanto que ela foi o único motivo pelo qual, quando estava no 9º ano, decidi optar por Ciências Sociais e Humanas aquando a inscrição para o 10º ano. O meu curso de Relações Internacionais também adveio dessa paixão. Mas... há histórias na História que sempre me provocaram mais fascínio do que outras, como a monarquia. Talvez seja a ideia de reis e rainhas, príncipes e princesas mas já quando era pequena adorava ficar a olhar o retrato destes homens e mulheres nuns calendários de bolso que o meu pai tinha (e ainda estão guardados numa caixinha!).

Contextualizando assim, ao passar por uma livraria vi na montra o livro "Os maus da História de Portugal" e não lhe consegui resistir ainda mais quando se lia na capa "Reis cruéis, traidores, mulheres fatais, assassinos e gente de má rês". Entrei, levei e já me pus a ler. Afinal, é sempre bom enriquecer conhecimentos e nem só de benfeitores a História foi feita. Teve um caso que me chamou muito a atenção.

Luísa de Jesus, cerca de 22 anos. Não foi nenhuma princesa, muito menos rainha, foi sim uma mulher que se destacou na História de Portugal por ser uma serial killer. De verdade. E o mais aterrorizador é que ela matava bebés.
Naquele tempo, século XVIII, os bebés abandonados eram deixados numa espécie de orfanato a que chamavam de "roda" onde tinham mulheres que tomavam conta destes embora apelassem às mães de recém nascidos que acolhessem alguns dos bebés abandonados para os amamentarem com o seu leito materno. Em troca pagavam a quantia de 600 réis e ainda davam um enxoval para a criança. As únicas obrigações eram de, todos os meses, apresentar o bebé na "roda" e assim cuidar do bebé até aos dois anos de idade. Ora bem, Luísa foi uma dessas mulheres que se comprometeu a ser ama de leite. Ela registava-se, resgatava um recém nascido e levava consigo o enxoval e a quantia em dinheiro. Parecia fácil então, assim, ela não fez desaparecer nem 4 ou 5 bebés... mas sim 33. É claro que ela foi mudando o seu nome a cada registo. Quando finalmente perceberam que os bebés não voltavam passado um mês à "roda", já tinham morrido 28 bebés. Numa inspecção à casa de Luísa foram achados corpos em decomposição, crânios em potes e outros ossos de vários membros. Luísa foi então condenada, pela Inquisição, a pena de morte com ela confessando os seus crimes, embora pedisse compreensão pois fez o que fez porque precisava de um rendimento extra para sobreviver. Tomar no c* não quis, não é?

Além disso, o seu auto de fé decorrido em 1 de Julho de 1772 marcou também a última vez em que se matou uma mulher em Portugal pela Inquisição. Luísa de Jesus teve primeiramente as suas mãos cortadas, em vida - em símbolo de justiça já que ela estrangulava as suas vítimas indefesas com as próprias mãos - e depois chicoteada e queimada viva. Morreu assim uma terrível assassina.

Mais sobre esta história e outras, podem ler no livro referido acima. Decidi compartilhar esta curiosidade porque ela surpreendeu-me e, de facto, a desconhecia. Já conheciam?

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3 comentários

  1. Já tinha ouvido falar dessa Luísa de Jesus mas não sabia que lhe tinham cortado as mãos antes de matarem na!! Tenho que ir procurar esse livro parece interessante!

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  2. Não conhecia! E, esse livro era uma excelente compra!

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