Reflexões notívagas, a ti

sexta-feira, outubro 03, 2014

Serve de palco a cama onde estou deitada, a caneca e o chá verde quentinho que estou a beber para dormir tranquila - ou tentar - e o ronronron do gato deitado ao meu lado. Já está quase na hora do diabo que eu considero as três horas da manhã.

Limpei as lágrimas e acalmei embora o meu coração esteja no maior alvoroço de sempre. Agitado, dorido. O que fica é sempre o mesmo: "Eu sou uma idiota". Não deveria te ter entrego o meu coração, nunca. Juro que se eu pudesse nunca tinha te deixado entrar na minha vida. Foste o maior acerto e ao mesmo tempo o maior erro.  Mais o erro, na verdade, porque acertos dão certo e cá permanecem. Se fosses um "acerto" eu teria vontade de celebrar, colocar-te numa moldura e pendurar-te na parede como um troféu do "maior acerto de sempre". Mas foste um erro, uma ilusão boba do meu eu apaixonada, só me deixaste dor e eu - se pudesse - faria de ti um papel e amachucava-te directamente para o caixote do lixo ou - como se quisesse te fazer sentir um terço do que me deixaste - passava-te directamente para a trituradora de papéis e te deixava ser pedacinhos pequenos e insignificantes e que jamais, juntos, voltariam para me perturbar.
Já me tinhas dito, tem um mês, que eu não servia mais em ti. Já tinhas colocado as cartas em cima da mesa e falado para eu ir. E eu fui e não fui e fui ficando até ver que nenhuma diferença mais fiz e foi melhor dar-se tudo por acabado. Levar-te-ia para o ecoponto mais próximo e te faria sumir entre todos os papéis e levar-te a desaparecer da minha vida! Mas, em vez disso, tenho um cérebro com uma capacidade de memória que me faz lembrar de ti até durante o sono e me faz acordar a querer desejar te falar o quanto sinto saudades. Mas não queria sentir, queria e vou, apagar tudo nem que demore a minha existência. Não é bom viver a achar que o milagre de me amares vai acontecer; nem conviver a achar que o erro que se transformará no acerto. Enquanto acerto foste ilusão e eu não merecia isso.  Mas é do que a vida é feita, não é? De erros e de acertos então tenho que aceitar que seja lá o que foste, fizeste parte e, caso um dia eu escreva um livro sobre mim, teria que te mencionar... assim como mencionaria os meus dentes partidos quando tive um acidente de bicicleta, por exemplo, ou a primeira vez que levei um estalo da minha professora da primária. São factos. Mas, ah... Queria que não tivesses sido. Se eu voltasse atrás gostaria que o meu eu de hoje me aparecesse em visão e falasse "Sai! Vais sorrir mas vais sentir ódio por um dia teres sorrido quando te aperceberes que foi fugaz e te restará um coração quebrado. Que não, não é para ser. Destino? Ha-ha!". A idiota aqui, eu, achava ser destino porque nunca quis acreditar que nessa cagada toda que foi um dia te encontrar, tivesse nada de especial; mas, deve ter sido por insistência minha porque talvez o nosso destino fosse ter apenas trocado um "oi" e deixado para lá. Teria sido melhor. (O gato há muito que parou de ronronar e já passa da hora do diabo e o meu chá já deve estar salgado das lágrimas)

Adeus... sei lá, nem sei mais o que escrever.
Queria não saber mais de ti.

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