Tempo para histórias | Feitiços sem enfeitiçar

sábado, junho 20, 2015

O calor tem feito com que as minhas bochechas corem um pouco e sinta a face quente. Isto deu-me asas para abrir uma nova rubrica por aqui em que vou contar algumas histórias de momentos pelos pais passei e, como face ruborizada indicaria vergonha, vim abrir o coração sobre as maiores vergonhas da minha vida. A maior, na verdade, e só porque é engraçada.

Eu sou uma pessoa meio desastrada, tropeço várias vezes em coisas imaginárias (eu juro que não são imaginárias mas quando tento ver no que tropecei, não existe!) e já tive algumas quedas na rua que seriam dignas daquelas vídeos "funny" do youtube. A última, por acaso, foi outro dia na porta de um supermercado quando derrapei na chuva e deslizei - de rabo no chão - em frente a uma série de pessoas. Porém, cair na rua é quase natural para mim e, tal feito, não me causa mais vergonha nem sensação de "Quero sair daqui!".

Quando penso em sentir-me envergonhada de tal forma que a minha cara ardia e parecia derreter com o calor que se acometia do meu corpo, remeto-me para o 6º ano de escolaridade.
Tinha os meus 11/12 anos e, como qualquer adolescente, as suas paixonetas. Embora eu fosse muito reservada, suspirava de "amores" por um rapaz da minha turma e sonhava, imaginava e arquitectava planos (mas só na minha cabeça) para que um dia ele se apaixonasse por mim e vivêssemos felizes para sempre. A gente até se falava e éramos próximos mas, sei hoje e porque já não sonho com contos de fadas, eu era mais um "brother" junto com os outros amigos dele - até porque, nessa época, eu só fazia amizade com rapazes e era comum jogar basquete com eles e outros desportos; detestava as raparigas.
Alguém se lembra da revista "SuperPOP"? Era a concorrente da "Bravo" que ainda sobrevive. Eu era uma leitora assídua e páginas reservadas ao amor (sério que existia páginas sobre amor para um público de 10, 13 anos?) faziam parte da secção de leitura favorita. Um dia e porque estava na moda passar "Sabrina, a bruxinha adolescente" na RTP2, a SuperPop decidiu dedicar uma página inteira a feitiços. Feitiços para boas notas, para ser organizada, feitiço para o diabo a quatro,... existia também o feitiço para "fazer com que ele goste de ti". Pelos vistos, a minha vontade de cair nos braços daquele rapaz era imensa porque eu lembro, como se fosse hoje, que eu decidi colocar em prática aquele feitiço. Isto contado já é vergonha suficiente e, graças, que não estou a colocar nomes e duvido que pessoas daquela época lêem o meu blogue... mas o que se passou a seguir foi terrível e deve estar no top de momento mais vergonhoso da minha vida.
Supostamente, o "feitiço" era escrever uma carta à pessoa. Eu escrevi - e ainda bem que não me lembro do que dizia porque dessa forma eu já estaria de cabeça enfiada num saco mas... era uma carta de uma rapariga de 12 anos - e, depois, tinha que andar com a carta durante uns 3 dias junto a mim (mas escondida) e... o meu cérebro não consegue recordar o resto do feitiço. Eu deixei-a na minha mochila - ninguém iria lá mexer sem o meu consentimento, certo? Certo!
O erro foi meu. Ao tirar o material da mochila para uma aula, aquele pedaço de papel simplesmente caiu, voou, sei lá! Sei que saiu junto com um caderno e foi cair no chão, na carteira do tal rapaz. Obviamente eu nem me tinha apercebido, só quando o parceiro de carteira dele começou a ler a carta em voz alta é que eu caí em mim e, quase de forma sobrenatural, corri e joguei-me por cima das mesas até apanhar aquele pedaço de papel na mão e o começar a rasgar com toda a vontade do mundo ao mesmo tempo que corava, tremia e quase me dava o fanico enquanto lembro de dizer "É para outra pessoa com o mesmo nome...".
Será que colou? Não sei. Provavelmente não. Mas como reservada que era, não toquei nunca mais no assunto nem se lembraram de me bombardear com perguntas sobre...
Ainda bem.

Por outra não voltei a passar. Nem irei.
(Até porque agora já não faço "feitiços". Ai que vergonha de mim)

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1 comentários

  1. ahahahah O que eu ri Catarina!! Deixa lá todos passamos por vergonhas do género na escola e quando assim era também ficava toda corada xD
    :) Lembro tão bem da Super Pop e dos desenhos da Sabrina, adorava ver aquilo :)

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