quarta-feira, julho 15, 2015

Depois de mudar de casa e tinha eu 8 anos, sabia que algumas novas amizades faria mas não imaginaria nunca que houvesse uma que iria perdurar. Tinhas 6 anos, eu 8. Um pouco mais velha mas nada que afectasse as nossas brincadeiras de bolos de areia, junto com relva bem picada para fingir que eram os nossos oregãos nas pizzas (também de areia). Nem atrapalhou quando ver a Carlota Cambalhota nas suas cambalhotas, fosse o momento mais hilário do dia. Confesso, tive outras amigas além de ti, também. Mas nenhuma parecia tão boa e com o riso mais contagiante de sempre. A verdade nisto é que todas se foram, menos tu. Ficaste para brincar na minha casa, na rua, no parque. Ficaste para contarmos histórias de terror. Para brincarmos ao quarto-escuro e para me expulsar do computador e de ficar enfornada em casa para irmos aproveitar o Verão para o rio. É seguro dizer, até, que se hoje sei nadar (embora entre em pânico se souber que não tenho pé) foi porque me ensinaste e tinha eu 12 anos. E tu 10. Depois afastamos-nos. Quando eu cheguei na adolescência estavas ainda atrás e enquanto eu queria saber de brincadeiras menos infantis, tu querias ainda correr e brincar às escondidinhas. Mas não perdemos o contacto e o Verão continuava a ser junto contigo, nas tardes no rio, a nadar, a dar mergulhos e a conversar sobre tudo e sobre nada. Ainda te lembras da tua mãe falar que "é docinha?" E hoje em dia, se calhar, dizes a mesma coisa! (Piada interna) Na escola éramos primas sem nunca o sermos e havia também quem pensasse que fossemos irmãs. Talvez irmãs de alma, sim. Fizemos parte de coros juntas, gravamos mil vídeos, crescemos. Quando dei por mim estava com 18 anos e tu 16. Os primeiros amores, a primeira vez, a vez que fumamos na varanda como se estivéssemos a cometer um crime. E depois as saídas. A primeira vez que fomos a uma discoteca, as vezes em que bebias demais e ficavas com voz estridente, as vezes em que abanavas a cabeça negativamente enquanto eu me metia com algum gajo. A vez em que juntas conhecemos um grupo de 5 ou mais rapazes e decidimos ir para Ponte de Lima, com droga no carro e com medo de sermos apanhadas. E nem vou falar da vez que estiveste presente aquando a infelicidade do falecimento da minha mãe e como choraste, até mais do que eu, por saberes que estava triste. E como me fizeste rir nesse dia. Também já discutimos algumas vezes mas, felizmente e porque não somos idiotas, não íamos deixar que uma briga por causa de nada fosse estragar isto que temos. Sempre me compreendeste e se não compreendidas de primeira, aprendias a compreender. E se alguma vez me julgaste, ao menos não me condenaste... embora eu não consiga lembrar de um momento em que o tenhas feito. Resistimos a boatos, a mentiras e a outras que tentaram - de alguma forma - nos afastar. O facto é que agora tenho 25 anos. E tu vais fazer 23 em breve. E és a coisa mais preciosa que tenho. O que é forte prevalece. São quantos anos? Isso mesmo, quase 20 anos. 20 anos não é pouca bosta. 20 anos não é uma amizade de 2 meses e que merece textos bonitos e "nunca te vou abandonar". 20 anos é uma vida e eu sou feliz por compartilhar a minha com a tua: na alegria, na tristeza, na gordura, nas dietas, nas fofocas (o que seria de mim sem ti para falar mal de todo o mundo?), nas loucuras, nos momentos mais criança e também nos momentos em que temos que agir como as adultas que somos. 

Um obrigado, Andreia.

Foto de 2012, quando fiz 22 anos. Tinhas franja, eu tinha madeixas loiras.

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4 comentários

  1. É bonito uma amizade verdadeira :)

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  2. Amei este texto Catarina :) A vossa foto é maravilhosa!! :)

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  3. Uma amizade assim é maravilhosa :)

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